O Português Errante
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Museu da Cidade – Lisboa

Eu cá, sou um tipo de sestas. Nada como duas horitas de sono após o almoço para fazer face a uma digestão difícil. No entanto, às vezes a criançada revolta-se e “outros valores mais altos se alevantam”. Desta vez, fomos ao Museu da Cidade de Lisboa. Pelo menos a parte que fica no Palácio Pimenta, ali no Campo Grande.

Deixámos o carro no parque onde, acho eu que, antigamente se andava de mota e ninguém perguntava se tínhamos carta ou não, desde que pagássemos o aluguer.

A primeira boa surpresa, quando entramos, é o preço: o Museu da Cidade cobra 1,5€ por adulto e os miúdos até aos 12 não pagam. Depois segue-se uma visita previsível em alguns momentos e surpreendente noutros.

Assim, começamos por algumas peças em cerâmica, recuperadas dos tempos do terremoto. Segue-se uma enorme maquete da cidade, pré 1755, onde se pode ver com algum pormenor como era Lisboa. Estive aqui um bom bocado, pois não resisto a maquetes e também porque me pus a imaginar o quão tranquila seria a cidade nessa altura, rodeada de quintas.

Lembro-me de um amigo que tinha uma avó que vivia no Príncipe Real e ia passar férias à Junqueira. Se há 100 anos atrás ir à Junqueira era deslocação de férias, nos tempos do terramoto ir da Baixa a Campolide devia ser motivo para um livro.

Depois segue-se a cozinha do Palácio. Sempre gostei de ver as cozinhas destes sítios. Habitualmente bem preservadas,com utensílios e tudo, há sempre um ambiente de banquete palaciano, de farta comezaina, de largo e esmerado exagero culinário, sabiamente preparado pelas mãos “sapudas” (a M. usa muito esta expressão) de dedos curtos e gordos das cozinheiras de touca.

De seguida muda-se de edifício, sobe-se uma escadaria e visitam-se quadros, peças de cerâmica, mobiliário (tem um contador que quando visto de perto, dá para perceber o trabalho de incrustação de madeira, notável pela sua complexidade), mapas, ensaios de estátuas e outras peças de maior ou menor interesse. Parte dedicada ao Marquês de Pombal.

Este bocado da visita é giro, até porque dá para explicar aos miúdos algumas razões históricas em frente aos quadros dos seus protagonistas. Eu lembrei-me de contar a história da Rua do Arco do Carvalhão que deve o seu nome à alcunha de Sebastião Carvalho (daí “Carvalhão”) e Melo, o Marquês de Pombal, que tinha uma propriedade na área, diz-se uma quintinha e daí também o nome da Calçada da Quintinha.

Ao longo da visita, vamos sempre sendo acompanhados por azulejos e quando terminamos este edifício, dirigimo-nos ao jardim. Aqui, para além do dito, onde temos fontes, uma estufa (infelizmente vazia e com alguns vidros partidos) temos ainda mais três espaços para visitar neste nosso Museu da Cidade: uma fantástica exposição de azulejos, com um curto documentário no final, uma outra exposição que não me chamou e um jardim com instalações de Joana Vasconcelos feitas com peças de Bordallo Pinheiro, que justifica por si só uma visita.

Comecemos pelo primeiro, pela exposição de azulejos. É mais coisa de ver do que de ler. Mas tem muito que ver. Padrões, situações e outras questões estão ilustradas em centenas de azulejos que vão desde os antigos azuis figurativos aos mais recentes multicolores e de formas mais abstratas.

Há para todos os gostos e deu até para aprender que aqueles azulejos que estão em zonas de passagem, onde figuram pessoas em tamanho real, cumprem o propósito de indicar o caminho a seguir. Têm um nome mas esqueci-me, o melhor é ir lá ver.

Depois demos uma volta no jardim. Os pavões fizeram as delícias da petizada. Andaram atrás dos bichos para os fotografarem, até gastar a bateria ou a paciência, fiquei sem perceber.

Ainda vimos umas fontes, passámos ao largo da segunda exposição e fomos diretos ao Bordallo. Aqui, sim. Eu sempre gostei do trabalho dele. Comecei por conhecer as ilustrações e só muito mais tarde aprendi a valorizar a cerâmica, que é o que aqui se pode ver. A Joana Vasconcelos pegou numa série de peças sobre-dimensionadas e espalhou-as com habilidade pelo jardim de labirinto que é, em parte, visível do exterior do Museu através de uma janela gradeada.

Despedimo-nos do Museu da Cidade e fomos acabar o passeio domingueiro nessa pérola da gastronomia norte-americana que é o Mcdonald’s, para matar a curiosidade sobre como tinha ficado o jardim do Campo Grande depois das obras e o que tinha sucedido ao Caleidoscópio depois de ter sido vítima do imperialismo.

Devo dizer que o jardim teve uns acrescentos mas, pelo menos a parte do lago não está assim tão diferente e que o Caleidoscópio entre o abandono grafitado a que estava votado e a revitalização dada pelos hamburgueres, venha de lá esse imperialismo. Hah, e mantiveram o painel de azulejos!

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