A zona de Lagoa é conhecida por ter as “praias de postal” do Algarve, graças às formações rochosas peculiares e à cor da água. Mas apesar das praias, o Algar Seco foi o sítio que mais marcou a minha memória. Nada de mergulhos nem baldes de areia, este é um sítio reservado aos olhos.
O mar e o vento são os principais responsáveis por boa parte da beleza da costa algarvia (e doutras). São as formações rochosas, por vezes acompanhadas da cor da água, que dão graça às nossas praias. Nesta zona do Algarve, rochas fotogénicas é o que não falta, especialmente no Algar Seco: um conjunto rochoso que reúne três boas razões para ser visitado.
Descendo as escadas a partir do parque de estacionamento, tomamos o lance do lado esquerdo na bifurcação. Chegamos a uma espécie de piscina de água salgada, onde não dá para mergulhar, só molhar os pés e andar com cuidado.
Se optar por entrar na água transparente com tons de verde, poderá ver uma abertura na rocha, por onde entra luz e mar. É uma imagem que fica na memória e dá saudades ainda antes de partir. Embora a água seja um pouco “fresca”, se aguentar, vale a pena sentar-se um pouco dentro dela e ficar a olhar à sua volta enquanto o corpo se habitua à temperatura.
Em seguida, voltamos atrás para logo tornarmos a descer pelo lance do lado direito e encontrar a esplanada de um restaurante. Vamos deixar esta parte para o final e continuamos em direção ao mar. Logo encontramos uma indicação pintada na rocha, onde se lê “boneca”. Chegamos a um túnel (é suficientemente curto para não afetar claustrofóbicos) com luz ao fundo e tudo.
Aqui chegamos à segunda boa razão para visitar o Algar Seco: os olhos da boneca. São duas janelas redondas para o mar, onde vale a pena sentarmo-nos e contemplar. Isto é, se não houver mais ninguém, o que se provou difícil. Nesse caso devemos despachar a visita, dado que só cabem cerca de cinco pessoas de cada vez. Aguarde um pouco e volte a tentar.
Neste sítio há um pormenor que quero referir: na parte de cima da coluna que separa os olhos da boneca, encontrei uma forma que, com o enquadramento certo, parece uma caveira e que dá a esta gruta um certo ambiente de conto de piratas, com o pormenor maléfico de piscar o olho e tudo!
Acabamos esta visita no restaurante (que também se chama Boneca) para uns refrescos, sendo esta a terceira boa razão para visitar o Algar Seco. Devo dizer que fiquei bem impressionado com o atendimento, que me fez acreditar que o lendário ódio do empregado de mesa algarvio aos seus compatriotas é coisa do passado. Não é um sítio barato mas também não é proibitivo. Acima de tudo, tem bom ambiente e um atendimento correto.
Voltámos a subir até ao parque de estacionamento. Antes de conseguirmos ir embora, ainda ficámos um pouco a admirar e a tirar umas fotos. Custa sair daqui. Este é um sítio a voltar.
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Paisagem


















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